Depois da morte de um marido, de uma esposa ou de um companheiro, a família costuma descobrir a pensão por morte no pior momento possível: no meio do luto e com contas para pagar. E poucas dúvidas geram tanta angústia quanto esta: o INSS vai reconhecer que eu era dependente?
Este guia explica quem é considerado cônjuge ou companheiro dependente para fins de pensão por morte e em quais situações esse direito não nasce ou se encerra. Ele parte da experiência da Dra. Maria Teixeira, fundadora da Comissão de Direito Previdenciário e Seguridade Social da OAB/DF, a primeira do tipo e modelo para outras seccionais. Cada afirmação está ancorada na lei, que você confere nos links ao longo do texto.
Resposta direta
O cônjuge e o companheiro, incluindo o marido e o parceiro do mesmo sexo, são dependentes de primeira classe, e a dependência econômica deles é presumida por lei: não precisa ser provada (art. 16, I e §4º, da Lei 8.213/91). O que precisa ser provado é o vínculo. O direito não existe, em regra, quando o falecido já havia perdido a qualidade de segurado, quando não havia mais casamento nem união estável na data do óbito e o sobrevivente não recebia alimentos, e nos casos de fraude ou de crime doloso contra o segurado.
Em 30 segundos
- Dependência presumida: cônjuge e companheiro não provam que dependiam financeiramente do falecido (art. 16, §4º).
- O gargalo é o vínculo: na união estável, a lei exige início de prova material contemporânea aos fatos e não aceita prova só de testemunhas (art. 16, §5º).
- Ex-cônjuge: em regra não é dependente. A exceção é quem recebia pensão de alimentos, que concorre em igualdade de condições com a viúva e os filhos (art. 76, §2º).
- Casamento recente não tira o direito: ele encurta a duração. Em regra, sem 18 contribuições do falecido ou sem 2 anos de casamento ou união, a pensão do cônjuge dura 4 meses (art. 77, §2º, V, “b”). Ficam de fora o óbito por acidente ou por doença profissional ou do trabalho e o cônjuge inválido ou com deficiência (art. 77, §2º-A e §2º, V, “a”).
- Casar de novo não cessa a pensão no INSS: a Lei 8.213/91 não lista novas núpcias entre as causas de extinção da cota do cônjuge.
Cônjuge e companheiro: a dependência que não precisa ser provada
A Lei 8.213/91 divide os dependentes em três classes e coloca o cônjuge e o companheiro na primeira, ao lado dos filhos menores de 21 anos, inválidos ou com deficiência. Havendo dependente dessa primeira classe, os pais e os irmãos do falecido ficam de fora (art. 16, §1º). E há uma segunda consequência, probatória, que é a que mais importa na hora de reunir documentos.
A dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é presumida e a das demais deve ser comprovada.
Ou seja: a viúva não precisa mostrar que era sustentada pelo marido, nem o viúvo que dependia da renda da esposa. Mesmo que os dois trabalhassem, a dependência é presumida, e cai por terra o mal-entendido de que quem tem renda própria não teria direito. O que a lei cobra é a prova do vínculo. Para quem era casado, a certidão resolve. Para quem vivia em união estável, a exigência é bem mais dura: o art. 16, §5º, pede início de prova material contemporânea aos fatos, produzido em período não superior a 24 meses anteriores ao óbito, e não admite reconhecimento apoiado apenas em testemunhas, salvo força maior ou caso fortuito. Esse recorte de 24 meses foi incluído pela Medida Provisória nº 871/2019, convertida na Lei nº 13.846/2019, e o INSS o aplica na via administrativa; quando a prova antiga de convivência é robusta, vale avaliar com um advogado a discussão judicial do caso concreto. Se este é o seu caso, entenda como comprovar união estável antes de dar entrada no pedido.
Marido e companheiro homem têm o mesmo direito
Ainda é comum ouvir que a pensão por morte seria um benefício “de viúva”. Não é. O art. 16, I, fala em “o cônjuge, a companheira, o companheiro”, sem distinção de sexo, e o §4º presume a dependência de todos eles do mesmo modo. O marido que perde a esposa segurada é dependente de primeira classe nas mesmas condições, com os mesmos documentos e as mesmas regras de duração. A crença contrária pode levar viúvos a não requererem o benefício.
União homoafetiva: dependente na mesma condição
A união estável entre pessoas do mesmo sexo é reconhecida como entidade familiar e gera direito à pensão por morte nas mesmas condições da união heteroafetiva, com a mesma presunção de dependência e a mesma exigência de prova material. Como esses casais muitas vezes acumularam menos documentos formais de vida em comum, a prova merece cuidado redobrado. Tratamos do tema no guia sobre união estável homoafetiva e pensão por morte.
Quem é e quem não é dependente na data do óbito
A pergunta que o INSS faz não é “vocês foram casados?”, e sim “qual era a situação na data do óbito?”. É esse retrato, o do dia da morte, que define quem entra na habilitação.
Situação do cônjuge ou companheiro na data do óbito
Quando o vínculo gera a condição de dependente perante o INSS.
| Situação na data do óbito | É dependente? | Base legal |
|---|---|---|
| Casados e vivendo juntos | Sim, dependência presumida | Art. 16, I e §4º |
| União estável comprovada | Sim, dependência presumida, havendo início de prova material | Art. 16, I, §3º, §4º e §5º |
| Divorciado ou separado que recebia alimentos | Sim, concorre em igualdade com os demais da primeira classe | Art. 76, §2º |
| Divorciado ou separado sem alimentos | Em regra não, por não ser mais cônjuge nem companheiro | Art. 16, I |
| Casado no papel, separado de fato há anos | Depende do caso concreto e da prova da dependência econômica remanescente | Art. 16, I, e art. 76, §2º |
| Casamento ou união simulados | Não, perda do direito apurada em processo judicial | Art. 74, §2º |
| Condenado por homicídio doloso contra o segurado | Não, exclusão definitiva da condição de dependente | Art. 16, §7º, e art. 74, §1º |
A existência de dependente da primeira classe exclui do direito os das classes seguintes, os pais e os irmãos do falecido (art. 16, §1º).
Separação de fato e divórcio: quando o ex ainda é dependente
O divórcio, em regra, encerra a condição de dependente: quem não é mais cônjuge nem companheiro na data do óbito não está no rol do art. 16. A lei, porém, abre uma exceção para quem continuava sendo sustentado pelo falecido por decisão judicial.
O cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato que recebia pensão de alimentos concorrerá em igualdade de condições com os dependentes referidos no inciso I do art. 16 desta Lei.
Repare na expressão “que recebia pensão de alimentos”: é ela que separa os dois cenários. O ex-cônjuge que já não recebia nada do falecido não é dependente. O que recebia alimentos entra na habilitação em igualdade de condições, concorrendo com a viúva atual e com os filhos. Se os alimentos eram temporários, a pensão é devida ao ex apenas pelo prazo remanescente na data do óbito (art. 76, §3º). Reunimos as hipóteses e a documentação de cada uma no guia sobre ex-cônjuge, alimentos e pensão por morte.
Há um recorte que costuma passar despercebido: o de quem renunciou aos alimentos na separação e só depois passou a precisar. A renúncia não fecha a porta em definitivo. O Superior Tribunal de Justiça sumulou o entendimento de que a ex-mulher que abriu mão dos alimentos tem direito à pensão por morte do ex-marido, desde que comprove necessidade econômica superveniente. É um enunciado de alcance específico, que não se estende a qualquer separação: pressupõe a renúncia formalizada na separação judicial e a prova da necessidade que surgiu depois.
A mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica superveniente.
Casado no papel, separado na vida real
A separação de fato sem divórcio é a situação mais delicada do tema: a certidão continua válida, mas a convivência acabou. Quando o casal apenas se afastou e o falecido seguiu contribuindo para o sustento do outro, a habilitação tende a ser viável, desde que esse amparo seja comprovado. Quando a separação é antiga, sem amparo financeiro e com o falecido já em nova união, o pedido administrativo tende a esbarrar na falta de prova, e a discussão se desloca para a dependência econômica remanescente, examinada caso a caso, sem regra automática em favor de nenhum dos lados. Havendo companheira ou companheiro do falecido disputando o mesmo benefício, veja como funciona o rateio entre companheira e ex-esposa.
Casamento ou união às vésperas do óbito: o que realmente muda
Este é o ponto mais mal explicado do tema. Casar pouco antes da morte do segurado não retira o direito à pensão: o que o casamento recente faz é encurtar a duração do benefício do cônjuge. São coisas diferentes, e confundi-las pode levar a pessoa a nem requerer o que teria direito de receber.
em 4 (quatro) meses, se o óbito ocorrer sem que o segurado tenha vertido 18 (dezoito) contribuições mensais ou se o casamento ou a união estável tiverem sido iniciados em menos de 2 (dois) anos antes do óbito do segurado;
Duração da cota do cônjuge apto, com 18 contribuições e 2 anos de união
Idade do cônjuge na data do óbito, para óbitos a partir de 01/01/2021 (Portaria ME nº 424/2020).
| Idade do cônjuge na data do óbito | Duração da cota |
|---|---|
| Menos de 22 anos | 3 anos |
| De 22 a 27 anos | 6 anos |
| De 28 a 30 anos | 10 anos |
| De 31 a 41 anos | 15 anos |
| De 42 a 44 anos | 20 anos |
| 45 anos ou mais | Vitalícia |
Vale a lei da data do óbito (Súmula 340 do STJ). Para óbitos até 31/12/2020, aplica-se a tabela original da Lei nº 13.135/2015, com pensão vitalícia a partir de 44 anos. O cônjuge inválido ou com deficiência segue o art. 77, §2º, V, “a”.
São dois requisitos para a duração longa, e, em regra, basta faltar um para cair nos 4 meses: o falecido precisa ter vertido ao menos 18 contribuições mensais, e o casamento ou a união estável precisa ter começado pelo menos 2 anos antes do óbito. A regra tem duas exceções: o óbito por acidente de qualquer natureza ou por doença profissional ou do trabalho (art. 77, §2º-A), tratado logo abaixo, e o cônjuge inválido ou com deficiência, cuja cota dura enquanto persistir a invalidez ou a deficiência, respeitados os períodos mínimos das alíneas “b” e “c” (art. 77, §2º, V, “a”). Cumpridos os dois, a duração passa a seguir a escala definida pela idade do cônjuge na data do óbito, resumida na tabela acima e detalhada no guia sobre por quanto tempo a viúva recebe, pela tabela de idade.
Sobre a primeira exceção: quando o óbito decorre de acidente de qualquer natureza ou de doença profissional ou do trabalho, a regra dos 4 meses não se aplica, e vale a tabela por idade independentemente das 18 contribuições e dos 2 anos (art. 77, §2º-A). O tempo de contribuição a Regime Próprio de Previdência Social também entra na contagem das 18 contribuições (art. 77, §5º), o que costuma resolver o caso de quem foi servidor público antes de migrar para a iniciativa privada. Já a fraude, isto é, o casamento formalizado com o fim exclusivo de obter o benefício, leva à perda do direito, mas depende de apuração em processo judicial com contraditório e ampla defesa (art. 74, §2º).
Duas famílias ao mesmo tempo: união concomitante ao casamento
Nada gera mais litígio do que duas relações simultâneas, e é preciso separar dois cenários tratados como um só. No primeiro, o casamento já havia se rompido na convivência e o falecido passou a viver em união estável com outra pessoa: a nova relação é reconhecível como união estável, e a discussão vira de rateio entre a companheira e a ex-esposa que porventura recebia alimentos. No segundo, a relação paralela foi mantida enquanto o casamento seguia íntegro, sem separação de fato. Aqui o Supremo Tribunal Federal já fechou a porta em dois julgamentos com repercussão geral. No Tema 526 (RE 883.168, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 2021), a Corte assentou que o concubinato não gera direito à pensão por morte, ainda que a relação tenha sido longa, pública e com aparência de família. E no Tema 529 (RE 1.045.273, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado na sessão virtual de 11 a 18/12/2020), decidiu que a preexistência de casamento ou de união estável de um dos conviventes, ressalvada a exceção do art. 1.723, §1º, do Código Civil (pessoa casada, mas separada de fato ou judicialmente), impede o reconhecimento de um segundo vínculo referente ao mesmo período, inclusive para fins previdenciários. A distinção entre os dois cenários depende de prova, e é por isso que esses casos costumam terminar no Judiciário.
É incompatível com a Constituição Federal o reconhecimento de direitos previdenciários (pensão por morte) à pessoa que manteve, durante longo período e com aparência familiar, união com outra casada, porquanto o concubinato não se equipara, para fins de proteção estatal, às uniões afetivas resultantes do casamento e da união estável.
A preexistência de casamento ou de união estável de um dos conviventes, ressalvada a exceção do artigo 1.723, § 1º, do Código Civil, impede o reconhecimento de novo vínculo referente ao mesmo período, inclusive para fins previdenciários, em virtude da consagração do dever de fidelidade e da monogamia pelo ordenamento jurídico-constitucional brasileiro.
Quando a viúva não tem direito à pensão por morte
Esta é a pergunta mais repetida sobre o tema, e a resposta honesta é que as hipóteses são poucas e estão definidas em lei. Uma das principais nem sequer diz respeito à viúva: diz respeito ao falecido.
Perda da qualidade de segurado do falecido. A pensão por morte não exige carência, ou seja, não há número mínimo de contribuições para ter direito ao benefício em si (art. 26, I). O que se exige é que o falecido ainda fosse segurado do INSS na data do óbito, ou já tivesse preenchido os requisitos de alguma aposentadoria até a data do óbito (art. 102, §2º, e Súmula 416 do STJ). Quem parou de contribuir e deixou passar o chamado período de graça perde essa qualidade, e aí a família não recebe pensão por mais sólido que fosse o casamento.
Ausência de vínculo, fraude ou crime doloso. Quem já não era cônjuge nem companheiro quando o segurado morreu e não recebia alimentos, em regra, fica fora da habilitação. A perda do direito por casamento simulado exige apuração judicial (art. 74, §2º), e a condenação transitada em julgado por homicídio doloso, ou tentativa, contra o segurado exclui definitivamente a pessoa da condição de dependente, ressalvados os absolutamente incapazes e os inimputáveis (art. 16, §7º, e art. 74, §1º).
Fora dessas hipóteses, a discussão tende a girar em torno da prova, e não do direito em si. Vale separar duas perguntas que se confundem: uma coisa é ter direito à pensão, outra é o valor que cabe a cada dependente, que depende da cota familiar e do número de habilitados. Havendo mais de um pensionista, a pensão é rateada entre todos em partes iguais (art. 77, caput), e em 2026 o valor total da pensão respeita o piso de R$ 1.621,00 e o teto de R$ 8.475,55 (Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026). Se a sua dúvida é essa, veja quando a viúva recebe 100% da pensão, onde tratamos do cálculo em detalhe.
Casar de novo faz perder a pensão por morte?
No INSS, não. A Lei 8.213/91 lista as causas de extinção da cota individual no art. 77, §2º, e um novo casamento ou uma nova união estável do pensionista não estão entre elas. As hipóteses previstas são a morte do pensionista, o filho ou irmão que completa 21 anos (salvo invalidez ou deficiência), a cessação da invalidez ou o afastamento da deficiência, o decurso dos prazos de duração aplicáveis ao cônjuge e a perda do direito por crime doloso contra o segurado. Novas núpcias não constam.
A dúvida é compreensível, porque a regra já foi diferente em legislações antigas e porque alguns regimes próprios de servidores adotaram soluções distintas ao longo do tempo. Sendo o benefício de servidor público, e não do INSS, a análise muda de lei, como explicamos no guia da pensão por morte do servidor público (RPPS). Vale lembrar ainda que a mesma ordem de dependentes do art. 16 vale para o auxílio-reclusão, devido aos dependentes do segurado de baixa renda recolhido à prisão em regime fechado, desde que cumprida a carência de 24 contribuições mensais (art. 80 e art. 25, IV).
Quando procurar um advogado previdenciário
Um pedido de viúva ou viúvo com casamento formal, falecido contribuindo em dia e nenhum outro dependente concorrendo costuma correr bem pelo Meu INSS. O prazo também conta: requerida em até 90 dias do óbito (180 dias para os filhos menores de 16 anos), a pensão é paga desde a data do óbito; depois disso, só a partir da data do requerimento (art. 74, I e II). A orientação jurídica é decisiva em quatro cenários: quando a relação era união estável e a documentação é escassa ou não é contemporânea; quando há mais de uma pessoa disputando a habilitação; quando o INSS entende que o falecido havia perdido a qualidade de segurado; e quando o casamento começou pouco antes do óbito e a discussão passa a ser a duração.
O escritório Maria Teixeira Advogados atua exclusivamente com direito previdenciário e da seguridade social, área em que a Dra. Maria Teixeira fundou a comissão pioneira na OAB/DF. Se você perdeu o cônjuge ou o companheiro e tem dúvida sobre o direito à pensão, sobre a documentação da união estável ou sobre uma negativa recebida, a análise do caso ajuda a definir o melhor caminho, sempre com transparência sobre riscos e sem promessa de resultado.
Base legal
- Lei nº 8.213/1991 · art. 16 (classes de dependentes e prova do vínculo)
- Lei nº 8.213/1991 · art. 26, I (pensão por morte independe de carência)
- Lei nº 8.213/1991 · art. 74 (prazos de 90 e 180 dias, perda do direito e habilitação provisória)
- Lei nº 8.213/1991 · art. 76 (ex-cônjuge com alimentos e alimentos temporários)
- Lei nº 8.213/1991 · art. 77, caput, §2º, V, e §§2º-A, 2º-B e 5º (rateio e cessação da cota do cônjuge)
- Lei nº 8.213/1991 · art. 102, §2º (pensão quando o falecido já reunia os requisitos de aposentadoria)
- Lei nº 8.213/1991 · art. 80 e art. 25, IV (auxílio-reclusão: regime fechado e carência de 24 contribuições)
- Lei nº 13.135/2015 · 18 contribuições, 2 anos de união e escala de duração da pensão do cônjuge
- Portaria ME nº 424/2020 · idades da escala para óbitos a partir de 01/01/2021 (art. 77, §2º-B, da Lei nº 8.213/1991)
- Código Civil · art. 1.723, §1º (união estável de pessoa casada separada de fato ou judicialmente)
- Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026 · piso de R$ 1.621,00 e teto de R$ 8.475,55 em 2026
Perguntas frequentes
Quando a viúva não tem direito à pensão por morte?
As hipóteses são poucas e estão definidas em lei. Uma das principais é o falecido já ter perdido a qualidade de segurado, por ter parado de contribuir e deixado passar o período de graça, sem ter reunido antes os requisitos de alguma aposentadoria (art. 102, §2º). Também não há direito quando não havia mais casamento nem união estável na data do óbito e o sobrevivente não recebia alimentos, quando se comprova judicialmente fraude (art. 74, §2º), e quando há condenação transitada em julgado por homicídio doloso contra o segurado (art. 16, §7º).
Casei há menos de 2 anos. Tenho direito à pensão por morte?
Sim, o direito existe. O casamento recente não elimina o benefício: encurta a duração. Em regra, sem que o segurado tenha vertido 18 contribuições mensais, ou com menos de 2 anos de casamento ou união estável, a cota do cônjuge dura 4 meses (art. 77, §2º, V, “b”). Há duas exceções: se a morte decorreu de acidente de qualquer natureza ou de doença profissional ou do trabalho, vale a duração pela tabela de idade mesmo sem esses requisitos (art. 77, §2º-A); e, se o cônjuge for inválido ou tiver deficiência, a cota dura enquanto persistir essa condição, respeitados os períodos mínimos da lei (art. 77, §2º, V, “a”).
Marido tem direito a pensão por morte da esposa?
Sim, nas mesmas condições. O art. 16, I, da Lei 8.213/91 arrola “o cônjuge, a companheira, o companheiro” como dependentes de primeira classe, sem distinção de sexo, e o §4º presume a dependência econômica de todos eles. O marido ou companheiro que perde a esposa segurada não precisa provar que dependia financeiramente dela.
Ex-esposa recebe pensão por morte?
Em regra não, porque quem já não é cônjuge nem companheiro na data do óbito está fora do rol de dependentes. A exceção está no art. 76, §2º: o cônjuge divorciado ou separado, judicialmente ou de fato, que recebia pensão de alimentos concorre em igualdade de condições com os demais dependentes da primeira classe, dividindo a pensão com a viúva atual e com os filhos. Sendo os alimentos temporários, vale apenas o prazo remanescente na data do óbito (art. 76, §3º).
Se eu casar de novo, perco a pensão por morte?
No INSS, não. As causas de extinção da cota individual estão no art. 77, §2º, da Lei 8.213/91, e um novo casamento ou uma nova união estável do pensionista não estão entre elas. A confusão existe porque a regra já foi outra em legislações antigas e porque alguns regimes próprios de servidores adotaram soluções diferentes. Sendo pensão de servidor, confira a lei do respectivo ente.
Por quanto tempo a viúva recebe a pensão por morte?
Depende de dois fatores: se o falecido tinha ao menos 18 contribuições mensais e se o casamento ou a união estável já durava 2 anos. Faltando um deles, a cota dura, em regra, 4 meses, salvo óbito por acidente ou por doença profissional ou do trabalho e cônjuge inválido ou com deficiência. Cumpridos os dois, a duração segue a idade do cônjuge na data do óbito. Para óbitos a partir de 01/01/2021, são 3 anos (menos de 22 anos de idade), 6 anos (22 a 27), 10 anos (28 a 30), 15 anos (31 a 41), 20 anos (42 a 44) e pensão vitalícia a partir de 45 anos (Portaria ME nº 424/2020). Para óbitos até 31/12/2020, vale a tabela da Lei nº 13.135/2015, com pensão vitalícia a partir de 44 anos. Mais detalhes no guia sobre por quanto tempo a viúva recebe, pela tabela de idade.
Companheira e ex-esposa podem dividir a mesma pensão?
Sim, é situação prevista em lei. A companheira que comprova união estável na data do óbito é dependente de primeira classe, e a ex-esposa que recebia pensão de alimentos concorre em igualdade de condições com ela (art. 76, §2º). O benefício é então rateado. O ponto sensível é a prova: a união estável exige início de prova material contemporânea, e a condição da ex-esposa exige a demonstração dos alimentos recebidos.
Veja também o guia completo: Pensão por Morte do INSS, que reúne quem tem direito, valor, duração e o passo a passo do pedido.
Referências
- Lei nº 8.213/1991, Planos de Benefícios da Previdência Social (texto consolidado)
- Lei nº 13.135/2015, requisitos e escala de duração da pensão por morte do cônjuge
- Portaria ME nº 424/2020, idades da escala de duração para óbitos a partir de 01/01/2021 (DOU)
- Lei nº 13.846/2019, prova do vínculo e habilitação de dependentes
- STF, Tema 526 de repercussão geral (RE 883.168), concubinato e pensão por morte
- STF, Tema 529 de repercussão geral (RE 1.045.273), vínculos simultâneos
- STJ, Súmulas nº 336 (renúncia a alimentos), 340 (lei da data do óbito) e 416 (requisitos de aposentadoria), compilação oficial
- Código Civil (Lei nº 10.406/2002), art. 1.723
- Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de 9 de janeiro de 2026 (DOU), reajuste, piso e teto dos benefícios do INSS
- INSS, Pensão por morte (gov.br)
Acesso em 2 out. 2026 para a Lei nº 8.213/1991, o Código Civil, as Portarias ME nº 424/2020 e MPS/MF nº 13/2026, os Temas 526 e 529 do STF, as súmulas do STJ e a página do INSS; acesso em 30 jul. 2026 para as Leis nº 13.135/2015 e nº 13.846/2019. Todas as fontes são públicas e oficiais.
