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Auxílios e BPC

Estabilidade acidentária: art 118 da Lei 8.213/91 e Súmula 378

Resposta direta A estabilidade acidentária garante 12 meses de emprego após a alta médica, conforme o art. 118 da Lei 8.213/1991. Aplica-se a quem ficou afastado mais de 15 dias e recebeu auxílio acidentário (B91) ou, pela Súmula 378, II,…

Em 30 segundos

  • Duração: 12 meses contados da alta médica (art. 118, Lei 8.213/1991), prazo mínimo que norma coletiva amplia, jamais reduz.
  • Quem tem direito: trabalhador afastado por mais de 15 dias com benefício B91, ou com doença ocupacional reconhecida depois (Súmula 378, II, TST).
  • Sem CAT e com B31: a estabilidade ainda é devida se a perícia judicial confirmar o nexo ocupacional, com conversão retroativa para B91.
  • Se for dispensado: a demissão é nula e gera reintegração ou indenização substitutiva dos salários e verbas até o fim dos 12 meses.
  • Prazo para agir: 2 anos após o término do contrato, com 5 anos retroativos de verbas (CF, art. 7º, XXIX).

Em resumo

  • O que é: garantia de manutenção do contrato de trabalho por 12 meses após a alta do benefício acidentário.
  • Base legal: art. 118 da Lei 8.213/1991, Súmula 378 do TST (itens I, II e III) e art. 21-A (NTEP).
  • Gatilho: alta do auxílio por incapacidade temporária acidentário (B91), após afastamento superior a 15 dias.
  • Exceção sem B91: doença ocupacional reconhecida posteriormente em juízo, mesmo sem CAT (Súmula 378, II).
  • Se violada: reintegração ao posto ou indenização substitutiva; justa causa só com falta grave comprovada (CLT, art. 482).

12meses

Estabilidade pós-alta médica (Lei 8.213/91, art. 118).

15dias

Afastamento mínimo para o INSS conceder o benefício.

B91espécie

Benefício acidentário que dispara o art. 118.

IIIitens

Itens da Súmula 378 do TST que regulam a aplicação.

Conteúdo informativo. A análise concreta depende das circunstâncias individuais.

O que é a estabilidade acidentária

A estabilidade acidentária é a garantia de manutenção do contrato de trabalho por 12 meses contados da alta médica e do retorno do trabalhador às atividades, após afastamento previdenciário decorrente de acidente do trabalho ou doença ocupacional. Ela impede a dispensa sem justa causa nesse período e tem duas finalidades: viabilizar a reabilitação plena do trabalhador no posto e evitar a quebra arbitrária do vínculo justamente quando o histórico clínico recente expõe maior vulnerabilidade.

A regra está no art. 118 da Lei 8.213/1991, regulada pela Súmula 378 do TST e pelo art. 21-A da mesma lei (NTEP, nexo técnico epidemiológico previdenciário). Aplica-se ao empregado urbano, ao rural, ao doméstico (LC 150/2015) e, com nuances, ao trabalhador intermitente. O gatilho da estabilidade é o B91, um dos benefícios por incapacidade e acidentários do INSS.

Art. 118 da Lei 8.213/91: texto, requisitos e gatilho

O art. 118 da Lei 8.213/1991 dispõe que o segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção do contrato de trabalho após a cessação do auxílio-doença acidentário. Três pontos merecem destaque:

O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente.

  1. “Prazo mínimo”: pode haver estabilidade maior por norma coletiva, mas nunca menor.
  2. “Após a cessação do auxílio-doença acidentário”: o gatilho legal direto é a alta do B91, espécie acidentária do antigo auxílio-doença (hoje “auxílio por incapacidade temporária”).
  3. “Independentemente de percepção de auxílio-acidente”: não exige sequela permanente nem benefício acessório.

Os três requisitos clássicos

A jurisprudência consolida três requisitos cumulativos para a aplicação literal do art. 118:

  • (a) Afastamento previdenciário superior a 15 dias: é o limite que faz o trabalhador sair da responsabilidade da empresa e entrar no benefício do INSS (CLT, art. 476).
  • (b) Concessão do benefício na espécie acidentária (B91), e não na espécie comum (B31).
  • (c) Alta médica que cessa o B91 e devolve o trabalhador à atividade (com ou sem restrições).

Caminho alternativo: Súmula 378, II, do TST (sem CAT, sem B91)

O TST reconhece um caminho alternativo, no item II da Súmula 378: a estabilidade é devida mesmo que a empresa não tenha emitido a CAT e o INSS não tenha concedido o B91, desde que se comprove, ainda que posteriormente e em juízo, a doença ocupacional com nexo causal ou concausal com o trabalho. É a hipótese típica de doenças progressivas (LER/DORT, surdez ocupacional, transtornos mentais relacionados ao trabalho), em que o diagnóstico só fecha tempo depois e a empresa, frequentemente, omitiu a CAT.

Súmula 378 do TST: itens I, II e III decifrados

A Súmula 378 do TST condensa em três itens a aplicação prática do art. 118. Conhecê-los é o que separa um pedido bem fundamentado de um pedido genérico.

Item I: constitucionalidade do art. 118

É constitucional o art. 118 da Lei nº 8.213/1991 que assegura o direito à estabilidade provisória por período de 12 meses após a cessação do auxílio-doença ao empregado acidentado“. A constitucionalidade do art. 118 está afirmada no próprio item I da Súmula 378 do TST, transcrito acima. A estabilidade não viola a livre iniciativa nem cria privilégio: trata-se de proteção mínima ao trabalhador acidentado.

Item II: alternativa quando há omissão da empresa

São pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego“. É o item-chave para os casos em que a empresa não emite CAT, o INSS concede o benefício como B31 e o trabalhador é dispensado. A doença ocupacional reconhecida posteriormente em perícia judicial retroage e atrai a estabilidade.

Item III: estabilidade alcança contrato por prazo determinado

O empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia provisória de emprego decorrente de acidente de trabalho prevista no art. 118 da Lei 8.213/91“. Em 2012, o TST alterou o entendimento e passou a estender a estabilidade ao contrato por prazo determinado, incluindo o contrato de experiência. A lógica é a mesma da estabilidade da gestante (Súmula 244, III): a proteção decorre da condição, não do tipo de contrato.

NTEP: o atalho probatório do art. 21-A

O art. 21-A da Lei 8.213/1991, introduzido pela Lei 11.430/2006, criou o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP): presunção legal de nexo entre a doença e o trabalho sempre que houver correlação estatística entre o CID da doença e o CNAE da empresa. Reconhecido o NTEP, o INSS concede o benefício automaticamente como B91, e o ônus probatório se inverte: cabe ao empregador comprovar que não há nexo.

Para o operador trabalhista, o NTEP é prova robusta tanto na ação principal (reintegração ou indenização substitutiva) quanto na conversão posterior de B31 em B91. Para uma análise dedicada da tabela CID/CNAE e da inversão do ônus, leia o conteúdo específico sobre NTEP, nexo técnico epidemiológico previdenciário. E, para entender a fronteira entre B91 e B31 (que decide se a estabilidade existe ou não), leia B91 x B31, auxílio-doença comum e acidentário.

Conversão de B31 em B91 e efeitos retroativos na estabilidade

Boa parte dos casos atendidos no escritório nasce de benefícios concedidos como B31 mesmo havendo nexo ocupacional. Quando o trabalhador é dispensado pouco depois da alta, a empresa, em regra, não considera estabilidade alguma, afinal “não houve B91”. Em seguida, a doença ocupacional é confirmada (perícia médica do trabalho, laudo do INSS, ação previdenciária), o benefício é convertido para B91 retroativamente e a estabilidade do art. 118 incide a partir da alta original.

Os efeitos práticos da conversão tardia são significativos:

  • FGTS de 8% retroativo sobre cada mês de afastamento (art. 15, §5º, Lei 8.036/90).
  • Reintegração, se a estabilidade ainda estiver vigente.
  • Indenização substitutiva dos 12 meses do art. 118, quando a estabilidade já transcorreu.
  • Anotação da doença ocupacional na CTPS e no PPP (perfil profissiográfico previdenciário), importante para futura aposentadoria especial.
  • Indenização por dano moral, em casos de omissão dolosa de CAT pela empresa.

Dispensa durante a estabilidade: reintegração ou indenização substitutiva

A dispensa sem justa causa durante o período de estabilidade acidentária é nula. Os efeitos seguem a lógica clássica das estabilidades trabalhistas:

  • Reintegração ao posto, com retorno aos salários, 13º proporcional, férias proporcionais com 1/3, FGTS, INSS e demais verbas dos meses entre a dispensa e a reintegração, quando ainda vigente o período de estabilidade.
  • Indenização substitutiva equivalente aos salários e verbas que o trabalhador receberia até o fim dos 12 meses, calculada sobre salário-base, médias de comissões e gratificações habituais, 13º proporcional, férias com 1/3, FGTS de 8%, multa de 40% e INSS, quando a reintegração não é viável ou a estabilidade já se exauriu.
  • Indenização por dano moral, quando a dispensa caracterizar discriminação ou má-fé (Lei 9.029/1995 c/c arts. 186 e 927 do CC).

Justa causa durante a estabilidade: exigência probatória elevada

A estabilidade do art. 118 não é absoluta: a dispensa por justa causa permanece possível, desde que a falta seja contemporânea, grave e comprovada. As hipóteses estão no art. 482 da CLT (improbidade, abandono, indisciplina, violação de segredo, ofensa física, entre outras).

Cuidado com a justa causa retaliatória

Justa causa alegada logo após a alta do B91 desperta suspeita de retaliação, e o ônus probatório da empresa fica especialmente elevado. Qualquer dúvida tende a ser interpretada em favor do trabalhador, com conversão em dispensa imotivada e atração da estabilidade.

Na prática, o ônus probatório da empresa é particularmente elevado em três cenários:

  • Quando a justa causa é alegada imediatamente após a alta do B91 (suspeita de retaliação).
  • Quando a falta atribuída tem nexo com a sequela da doença ocupacional (por exemplo, queda de produtividade decorrente da própria limitação).
  • Quando o procedimento disciplinar interno foi sumário ou sem comissão paritária prevista em CCT.

Em todos esses casos, qualquer dúvida tende a ser interpretada em favor do trabalhador, com conversão da justa causa em dispensa imotivada e atração da estabilidade.

Cinco cenários práticos: doméstica, terceirizada, sem CAT, readaptado e LER/DORT

Cinco cenários e a estabilidade aplicável

Cada cenário tem base legal e exigência probatória próprias.

CenárioEstabilidade aplicável?Base legal e observação
Empregada doméstica registradaSim, integralLC 150/2015 e art. 118; CAT pelo eSocial
Empregado terceirizadoSim, contra a prestadora (empregadora formal)Súmula 378 e art. 118
Doença ocupacional sem CATSim, via Súmula 378, IIReconhecimento posterior por perícia judicial
Readaptado pelo INSS (após B91)Sim, do dia da reabilitação por 12 mesesArt. 118 e Decreto 3.048/99
LER/DORT, PAIR, burnoutSim, com NTEP ou perícia técnicaArt. 21-A e Súmula 378, II

Vale lembrar: o burnout foi reconhecido como doença ocupacional pela OMS em 2022 e está hoje categorizado no CID Z73.0 ou em códigos do grupo F43. Em ambientes de assédio moral, ritmo abusivo e metas irreais, o nexo costuma se firmar com base em laudo psiquiátrico, prova testemunhal e, quando aplicável, o NTEP do CNAE da empresa.

Jurisprudência que sustenta a estabilidade do art. 118

Jurisprudência relevante

Última conferência: 19 jun 2026.

TribunalTemaO que decideStatus
TSTSúmula 378, IConfirma a constitucionalidade do art. 118 e a estabilidade de 12 meses após a cessação do auxílio acidentário.Vigente
TSTSúmula 378, IIGarante a estabilidade mesmo sem CAT e sem B91 quando a doença ocupacional é reconhecida após a despedida.Vigente
TSTSúmula 378, IIIEstende a estabilidade ao contrato por prazo determinado, incluindo o de experiência.Vigente
TSTSúmula 244, IIIAplica a mesma lógica à gestante: a estabilidade decorre da condição, não do tipo de contrato.Vigente

Como provar e qual o prazo para a ação

A prova varia conforme o cenário:

  • Caso clássico (B91, alta e dispensa): carta de concessão do INSS com espécie 91, atestado de alta, TRCT da rescisão.
  • Caso “Súmula 378, II” (sem CAT, sem B91): laudos médicos contemporâneos ao trabalho, prontuário do médico do trabalho, perícia judicial trabalhista, prova testemunhal, NTEP, PPP.
  • Caso “B31 que vira B91”: ação previdenciária na Justiça Federal contra o INSS para conversão, somada à ação trabalhista contra o empregador.

O prazo prescricional da reclamação trabalhista é o ordinário do art. 7º, XXIX, da CF/88: 2 anos após o término do contrato (prescrição total) e 5 anos retroativos a partir do ajuizamento (prescrição quinquenal). Em ações cumuladas com pedido previdenciário (na Justiça Federal), o prazo decadencial específico do art. 103 da Lei 8.213/91 (10 anos) pode incidir sobre revisões, mas não sobre o reconhecimento da estabilidade em si.

Quanto tempo dura a estabilidade acidentária?

São 12 meses contados da alta médica (cessação do B91), conforme o art. 118 da Lei 8.213/1991. O prazo é mínimo: norma coletiva pode ampliar, jamais reduzir. A contagem começa no primeiro dia útil após a alta e segue corrida, sem suspensões.

Quem teve auxílio-doença comum (B31) tem estabilidade?

Em regra, não. O art. 118 exige a espécie acidentária (B91). Mas a Súmula 378, II, do TST abre exceção: se a doença ocupacional for reconhecida posteriormente, mesmo sem CAT, a estabilidade é devida. Na prática, vale pedir a conversão de B31 em B91 (administrativa ou judicialmente) sempre que houver nexo com o trabalho.

A empresa pode demitir mesmo durante a estabilidade?

Apenas por justa causa comprovada (CLT, art. 482), com falta grave, contemporânea e devidamente apurada. Demissão sem justa causa nesse período é nula e gera reintegração; sendo inviável, conversão em indenização substitutiva equivalente aos salários e verbas do período remanescente da estabilidade.

A estabilidade do art. 118 vale para empregada doméstica?

Sim. A LC 150/2015 equiparou o doméstico ao trabalhador urbano para fins de cobertura acidentária, incluindo estabilidade do art. 118. A CAT é emitida pelo empregador doméstico via eSocial. O FGTS já é obrigatório desde a regulamentação da PEC das domésticas.

LER/DORT e burnout dão direito à estabilidade?

Sim, desde que se comprove o nexo ocupacional. LER/DORT (síndrome do túnel do carpo, tendinite, epicondilite) costuma ter NTEP automático em CNAEs como digitação intensa, linha de produção e costura. Burnout, reconhecido pela OMS em 2022 (CID Z73.0 ou grupo F43), tende a ter nexo confirmado em ambientes com assédio moral, ritmo abusivo e metas irreais. A estabilidade segue o art. 118.

Fui dispensado logo após a alta do INSS, o que fazer?

Reúna a carta de concessão do INSS (com espécie 31 ou 91), o atestado de alta, o TRCT, laudos médicos e relatório do médico do trabalho. Procure orientação ainda dentro dos 12 meses para viabilizar reintegração liminar. Se houver dúvida sobre a espécie do benefício, vale solicitar conversão de B31 em B91 simultaneamente. Prazo geral: 2 anos após o fim do contrato.

A estabilidade do art. 118 vale em contrato de experiência?

Sim. O item III da Súmula 378 do TST estende expressamente a estabilidade do art. 118 a contratos por prazo determinado, incluindo o de experiência. Se o trabalhador sofreu acidente do trabalho ou desenvolveu doença ocupacional durante esse contrato, a estabilidade incide e impede a rescisão automática no termo final.

Dr. Danylo Mateus

Direito Previdenciário

Sócio do escritório, é especialista em direito previdenciário, RPPS e revisões de aposentadoria. OAB/DF 62.890.

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