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Artigo

Resíduo do INSS do falecido: como receber o valor não recebido em vida

PREVIDENCIÁRIO · RESÍDUO DE BENEFÍCIO

Em resumo

Resíduo INSS é o valor devido ao segurado que morreu antes de receber: parcela do mês do óbito, atrasados de ação judicial ou benefício em análise. Pelo art. 112 da Lei 8.213/1991, esse valor não entra no inventário automaticamente — é pago primeiro aos dependentes habilitados à pensão por morte e, na ausência deles, aos sucessores civis via alvará judicial (Lei 6.858/1980). Prazo prescricional: 5 anos por parcela (Súmula 85 STJ + Tema 1057 STJ). Pedido gratuito no Meu INSS, com análise em até 45 dias úteis.

Atualizado em
· Autora:

5anos

Prescrição por parcela (Tema 1057 STJ)

45dias úteis

Prazo de análise (IN 128/2022)

art. 112L. 8.213

Base legal do resíduo

1980L. 6.858

Alvará sem inventário

Informativo. Cada caso exige análise documental e do CNIS antes do protocolo.

O que é o resíduo INSS e por que não integra o espólio comum

Resíduo INSS é o valor que o segurado tinha direito a receber antes de morrer e que ficou em aberto: a parcela do mês do óbito, atrasados de uma ação judicial transitada em julgado, ou um benefício que estava em análise quando ele faleceu. Pelo art. 112 da Lei 8.213/1991, esses valores têm natureza alimentar e não entram automaticamente no inventário — vão primeiro para os dependentes habilitados à pensão por morte e, só na ausência deles, para os sucessores civis.

Esse desenho protege a família próxima do segurado: na prática, o cônjuge e os filhos costumam pedir o resíduo em paralelo ao requerimento da pensão, sem precisar esperar a abertura ou o encerramento do inventário. É um direito autônomo, com rito próprio no INSS, e que prescreve em 5 anos por parcela.

Quem recebe: a ordem do art. 112

A ordem de preferência para receber o resíduo é taxativa: (1) dependentes habilitados à pensão por morte, na proporção da cota de cada um; (2) sucessores civis, pela ordem do art. 1.829 do Código Civil, mediante alvará judicial. Quando há ao menos um dependente habilitado, o pagamento é administrativo — sem necessidade de inventário.

Os dependentes seguem as três classes definidas pela Lei 8.213/91 (cônjuge, companheiro, filho menor de 21 ou inválido — Classe I; pais — Classe II; irmão menor de 21 ou inválido — Classe III). A regra de exclusão entre classes da pensão se aplica também ao resíduo: se há Classe I, Classe II e III não recebem. Veja o detalhamento em Classes I, II e III de dependentes.

Quatro situações típicas que geram resíduo

Existem quatro cenários que tipicamente geram pedido de resíduo INSS:

  1. Competência do mês do óbito. O segurado morre no meio do mês e o pagamento daquele mês ainda não foi creditado, ou foi creditado e devolvido pelo banco.
  2. Parcelas vencidas não recebidas. Erro bancário, recadastramento pendente, suspensão por prova de vida atrasada, ou bloqueio administrativo deixaram parcelas em aberto.
  3. Atrasados de ação judicial. O segurado tinha ação ganha (revisão, concessão judicial, RMI) com RPV ou precatório ainda não pago. Os herdeiros se habilitam no próprio processo para levantar.
  4. Benefício em análise no momento da morte. O segurado havia protocolado pedido de aposentadoria, auxílio ou pensão e morreu antes da concessão. Os herdeiros prosseguem com o pedido — se concedido, o retroativo da DER (data de entrada) ou DII (data de início da incapacidade) até o óbito vira resíduo.

Em todos os casos, é essencial conferir antes o CNIS limpo e completo do segurado, porque o INSS pode exigir a correção de vínculos para liberar o crédito.

Resíduo vs Pensão por Morte: a diferença prática

Resíduo de benefício e pensão por morte são pedidos distintos no INSS. Confundi-los gera indeferimento por pedido inadequado. O quadro abaixo resume:

Item Resíduo de Benefício Pensão por Morte
Natureza Pagamento único de valores devidos antes do óbito Benefício novo, mensal, devido a partir do óbito
Beneficiário Dependentes habilitados → sucessores Apenas dependentes habilitados (3 classes)
Valor O que o segurado tinha a receber e ficou em aberto Cota familiar 50% + 10% por dependente (até 100%)
Prazo 5 anos por parcela (prescrição) Sem prescrição do direito; 90 ou 180 dias para retroativo
Serviço Meu INSS “Pagamento de Resíduo de Benefício por Morte” “Pensão por Morte Urbana / Rural / Especial”

Em geral, dependentes pedem os dois em paralelo: a pensão garante a renda mensal a partir do óbito; o resíduo paga o que ficou em aberto antes. Veja os detalhes em guia completo de pensão por morte 2026 e em como o INSS calcula o valor da pensão.

Documentos por categoria de requerente

Os documentos exigidos variam conforme o requerente seja dependente habilitado ou sucessor. Em todos os casos, o INSS pede comprovação do óbito, identificação do falecido e prova do crédito não recebido.

Sobre o segurado falecido

  • Certidão de óbito (original ou cópia autenticada);
  • CPF e RG do falecido;
  • Número do Benefício (NB) do INSS, se ativo;
  • Extrato bancário das parcelas não debitadas (ou comprovante de devolução);
  • Carta de concessão / decisão judicial (se atrasados decorrem de ação).

Se o requerente é dependente habilitado

  • Documentos da habilitação: certidão de casamento ou início de prova material de união estável; certidão de nascimento de filhos; laudo médico (filho inválido / com deficiência);
  • RG e CPF do requerente;
  • Comprovante de endereço (até 90 dias);
  • Dados bancários do requerente (banco, agência, conta corrente).

O conjunto completo está no nosso guia de documentos de habilitação dos dependentes.

Se o requerente é sucessor (sem dependentes habilitados)

  • Certidão de nascimento ou casamento provando o parentesco;
  • Declaração de herdeiros e/ou alvará judicial (Lei 6.858/1980);
  • Certidão de Inexistência de Dependentes Habilitados (CIDH) — emitida pelo próprio INSS após consulta administrativa;
  • RG, CPF, comprovante de endereço e dados bancários do sucessor.

Passo a passo no Meu INSS (7 passos)

O pedido de resíduo é gratuito e 100% online no Meu INSS. O fluxo padrão tem 7 passos e leva, em média, 45 dias úteis para análise (prazo da IN 128/2022).

  1. Acesse o Meu INSS com login gov.br do requerente (não do falecido).
  2. Pesquise o serviço: “Pagamento de Resíduo de Benefício por Morte do Segurado” ou “Pagamento de Valores Não Recebidos em Vida”.
  3. Preencha CPF do falecido e o NB (se houver).
  4. Descreva com precisão o que está sendo pedido: mês de competência, número da ação judicial, ou indicação de “atrasado de pedido em análise”.
  5. Anexe os PDFs dos documentos (certidão de óbito, comprovação do crédito, documentos do requerente).
  6. Salve o protocolo e acompanhe pelo Meu INSS. O INSS pode abrir diligência pedindo documento complementar — responda em até 30 dias para não arquivar.
  7. Aguarde a análise (até 45 dias úteis). Se deferido, o pagamento cai em até 30 dias na conta indicada. Se indeferido, cabe recurso ao CRPS em 30 dias ou ação na Justiça Federal.

Quando precisa de alvará judicial (Lei 6.858/80)

Se o segurado não tinha dependentes habilitados, o pagamento do resíduo aos sucessores depende de alvará judicial, com base na Lei 6.858/1980 e no Decreto 85.845/1981. A vantagem desse rito é dispensar inventário formal — desde que o objeto seja apenas valores em poder do INSS (ou de outra entidade pagadora) e que o falecido não tenha deixado outros bens a partilhar.

O pedido de alvará é distribuído na vara de sucessões (ou família, conforme a organização local — em Brasília, na Vara de Órfãos e Sucessões), instruído com:

  • Certidão de óbito;
  • Documentos que provem o parentesco (certidões de nascimento/casamento);
  • Certidão de Inexistência de Dependentes Habilitados (CIDH) emitida pelo INSS;
  • Cópia do extrato/declaração do INSS indicando o valor a receber;
  • Declaração de herdeiros (se a partilha ocorrer entre múltiplos sucessores).

Após o trânsito do alvará, o documento é apresentado no Meu INSS (anexado ao serviço de resíduo) ou diretamente na agência. O INSS efetua o crédito conforme determinação judicial.

Cinco erros que indeferem o pedido de resíduo

A maioria dos indeferimentos administrativos decorre de cinco falhas evitáveis:

1. Abrir inventário antes de verificar se há dependente habilitado

Se há ao menos um dependente da pensão por morte, o resíduo vai direto pela via administrativa, sem inventário. Iniciar inventário ou alvará nesse cenário é gasto de tempo e custas evitáveis.

2. Deixar prescrever

A prescrição quinquenal não espera o desfecho do inventário. Protocole o resíduo no INSS o quanto antes — a partilha entre sucessores pode ser discutida depois, em juízo.

3. Confundir resíduo com pensão por morte

São pedidos distintos com formulários diferentes no Meu INSS. Pedir um pelo serviço do outro gera indeferimento por inadequação. Em geral, dependentes pedem os dois em paralelo.

4. Não juntar extrato bancário

O INSS exige comprovação de que a parcela não foi creditada. Sem extrato (ou sem prova de devolução do banco), o pedido é indeferido por falta de prova do crédito.

5. Pedir alvará em juízo incompetente

O alvará deve ser distribuído na vara de sucessões/família com competência sobre o domicílio do falecido. Alvará emitido por juízo incompetente pode ser recusado pelo INSS, exigindo retomada do procedimento.

Prazo prescricional: Súmula 161 STF + Tema 1057 STJ

O prazo para pedir o resíduo INSS prescreve em 5 anos por parcela, contados de cada vencimento — não da data do óbito. Esse é o entendimento consolidado a partir do Decreto 20.910/1932 (prescrição quinquenal contra a Fazenda), da Súmula 85 do STJ (relações de trato sucessivo), do STJ Tema 1057 (prescrição quinquenal por parcela em demandas previdenciárias) e da clássica Súmula 161 do STF, que já em 1963 fixava o prazo prescricional dos benefícios previdenciários.

Na prática: parcelas vencidas há mais de 5 anos a contar do protocolo são consideradas prescritas, ainda que devidas. O óbito, por si só, não interrompe nem suspende o prazo. Por isso a recomendação é uniforme: protocole o resíduo logo, mesmo se a partilha entre herdeiros ainda não estiver definida.

Perguntas frequentes

O que é resíduo INSS do falecido?

São os valores que o segurado tinha direito a receber e ficaram em aberto antes do óbito: a parcela do mês do óbito, parcelas vencidas não creditadas, atrasados de ação judicial (RPV ou precatório), ou retroativos de um benefício que estava em análise quando o segurado faleceu. A base legal é o art. 112 da Lei 8.213/1991.

Quem recebe o resíduo? Precisa abrir inventário?

Recebem primeiro os dependentes habilitados à pensão por morte (cônjuge, companheiro, filhos, pais, irmão — nas Classes I, II e III). Só na ausência total de dependentes habilitados é que os sucessores civis recebem, mediante alvará judicial (Lei 6.858/1980). Não é necessário abrir inventário formal quando há dependente habilitado ou quando o pedido se enquadra na Lei 6.858/80.

Qual o prazo para pedir o resíduo INSS?

Cinco anos por parcela, contados de cada vencimento (não da data do óbito), conforme Súmula 85 STJ + Tema 1057 STJ + Súmula 161 STF + Decreto 20.910/1932. Parcelas com mais de 5 anos a contar do protocolo são consideradas prescritas. O óbito não interrompe nem suspende a prescrição.

O falecido tinha pedido de aposentadoria em análise — o que acontece?

Os herdeiros podem (e devem) prosseguir com o pedido. Concedido o benefício, o retroativo da DER (data de entrada) ou DII (data de início da incapacidade) até a data do óbito vira resíduo, pago aos dependentes habilitados ou aos sucessores. É um cenário comum em pedidos de aposentadoria por incapacidade ou auxílio-doença em análise.

Quanto tempo demora para receber o resíduo após o pedido no Meu INSS?

A IN INSS 128/2022 fixa o prazo de análise em até 45 dias úteis. Deferido o pedido, o pagamento é creditado em até 30 dias na conta informada. Indeferido, cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) em 30 dias ou ação na Justiça Federal — especialmente quando há discussão de valor, prescrição ou competência.

Quando procurar orientação sobre resíduo INSS

Indeferimento administrativo do resíduo, dúvida entre alvará e habilitação, valores antigos próximos da prescrição, benefício em análise quando o segurado faleceu, ou pedido cumulado com pensão por morte: situações em que a análise técnica costuma mudar o resultado.


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